sábado, 16 de abril de 2011

terça-feira, 12 de abril de 2011

Desencontrada.


Distante é a palavra.
Confesso que vez ou outra acho o caminho daqui, só que bem no meio da caminhada me distraio, o vento forte me leva; não que eu seja tão leve, não que eu esteja tão superficial...só me deixo ir, meio sem rumo, junto dele, com ele... tem sido assim.
Não estou preocupada mais com algumas coisas, também deixei de pensar em outras, sei que o agora é o meu grande presente, mais a impotência de não poder mudar o que passou ainda me persegue...o passado me assombra, não me deixa dormir, me dá frio... tenho sentido tanto frio de madrugada, não tem cobertor que me aqueça desse frio do passado.
Vou anotar o endereço daqui, não vou mais me deixar assim ao acaso... escrever talvez seja o cobertor que está faltando nas noites mal dormidas dos dias presentes.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Não estou triste.


Por mas que eu me passe litros de hidratantes, me besunte com óleos de amêndoas doces, salgadas, com pimenta rosa, alecrim e outros afins... continuo com a pele seca.
Meu marido me disse na madrugada de ontem o seguinte... "Sabe aMor, não tem haver com qualidade dos hidratantes, é seu coração ainda tão machucado pela perda da nossa menina que secou a pele, enfeiou o cabelo... tirou a cor dos teus dias, a natura não tem nada haver com isso."
Que doído saber que é este o motivo... a dor de perder um filho.
Tudo em mim tá ruim, meu corpo só externa a secura que está meu coração sem ela. Todo dia acordo com a sensação de que esqueci algo, que falta algo que eu não sei bem o que é... mais eu sei o que é, doloridamente eu sei o que é.
Eu não estou triste, sou e sempre serei uma lutadora por excelência, nasci assim, brilhante, colorida... mais jamais serei como antes, jamais esquecerei tudo o que aconteceu.
Hoje está tão nublado aqui em Belém, dia com cara de cama, de aconchego... quem sabe se eu me permitir seguir mas livre dessa dor, minha pele melhore... quem sabe.

domingo, 27 de março de 2011

Verdade!


"Não digo que eu sou mau, mas digo que tome cuidado.
Sou de uma raça indomável, que se movimenta rápido, o tipo de criatura que deixa um rastro de ânsia quando passa.
Já não digo mais mentiras porque perdi a imaginação mas não há nada que seja confiável nas minhas verdades." 

Efraim Medina Reyes, in Era uma vez o amor mas tive que matá...-lo

sexta-feira, 25 de março de 2011

Ainda não aprendeste?


"Estou atrás do que fica atrás do pensamento. Inútil querer me classificar: eu simplesmente escapulo."

quarta-feira, 23 de março de 2011

Ela começou a travessia do abismo... Avançar é desatino, recuar é a queda.


"Ela começou a travessia do abismo e se acha naquela posição onde avançar é desatino, recuar é a queda. Eu sou o abismo. (...) Todo o meu nefasto fascínio sobre ela consiste em que eu sou o que ela não sabe que é. Imagem inflamada e dolorida que ela pretendeu ter extirpado. 
Ela me abomina, porque eu lhe aponto o que ela riscou do itinerário. Riscou sem ter apagado, pois a marca do fogo, ao se extinguir, não devolve a cicatriz. As cicatrizes desenham o mapa que ela não seguiu, virando as costas para o seu incêndio. 
Preferiu outras crateras, desenhou outras ruínas. A recusa dos próprios perigos é um desvio que retarda a culpa, sem anular o sorvedouro. 
Ninguém escapa do mais profundo. 
(...) Eu sou o fundo. 
Sou o perigo sem aventura."

terça-feira, 22 de março de 2011

Meus pensamentos ainda são tão teus minha filhinha, minha Flor.

 Não sei se existe um destino, se alguém o fia, enrola, corta.
Nos dedos de uma fiandeira, provavelmente a linha da vida de Matilde seria de fibra melhor que a minha, e mais extensa. Mas muitas vezes uma vida para no meio do caminho, não por ser a linha curta, e sim tortuosa. Depois que me deixou, nem posso imaginar quantas aflições Matilde teve em sua existência.
Sei que a minha se alongou além do suportável, como linha que se esgarça.
Sem Matilde, eu andava por aí chorando alto (...). Era como se a cada passo eu me rasgasse um pouco, porque minha pele tinha ficado presa naquela mulher." 

Chico Buarque, in Leite Derramado

sexta-feira, 18 de março de 2011

Abençoa meu bom Deus meus loucos amigos bebedores de bons vinhos...Amém.


Mon Dieu...
Donnez moi la santé pour longtemps
De l'amour de temps en temps
Du boulot, pas trop souvent 
Mais du bordeaux tout les temps.

segunda-feira, 14 de março de 2011

quarta-feira, 9 de março de 2011

É só isso que me traz um pouco de alívio nessa vida maluca...saber-me curada sempre.

Há tanta coisa que amei sem entender.
Acho que amo para não explicar.(...)Eu me sinto difícil, um texto difícil; eu me sinto burro quando me leio.
Cada vez mais burro.
É a voracidade da minha letra.
Eu sou embaralhado de desejos; os desejos são dúvidas que o corpo responde e não explica.
Eu sou mais o desaforo do que o elogio."

Fabrício Carpinejar, in O Amor Esquece de Começar

sábado, 26 de fevereiro de 2011

...


"Quisera descansar meu peito como se houvesse outra vida em mim. Saber-me dona do meu tempo, repousada e calma na inspiração.
Quisera encontrar abrigo numa paz maciça de esquecimentos. E que o dia não terminasse abrupto na eternidade do melhor momento.
Mas há que se dizer de fases em que algumas frases vêm anoitecidas. E a força foge ao controle e a tristeza invade um bocado da vida.
E o choro não resolve nada, nem nos desvencilha desse mar de dor. Se o peito de engasgado cala, quem será a voz a me falar de amor?
Mas há que se dizer também que nunca uma frase dói a fase inteira.
Palavra também amanhece e o pensamento tem que acordar junto.
Por isso que o choro seca, que ao amor há entrega porque finda o luto.
Descubro que em tempos de guerra o peito se cala, mas na poesia nunca fica mudo."
Saudades minha Maria... Flor que brotou em mim.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

O nada.

"Conforto meus pensamentos sobre o cobertor antigo.
Aceito o que vier, porque do que vem não sei mais fugir.
Sonho mesmo é com o dia em que meu maior desejo será anunciado como milagre, como oração, como cantiga de infância.
Daí, vou pra roda no quintal, vestida num velho tempo...
Cabelo solto, bochechas vermelhas, suor fresco... faltando o ar.
Feliz apenas por viver e não entender de outras coisas."

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Dias e noites.

                                      
   
Como suspira a corça pela corrente das aguas, assim, por ti, ó Deus suspira minha alma.
A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei e me verei perante a face de Deus? 
As minhas lágrimas tem sido meu alimento dia e noite, enquanto me dizem continuamente; 
O teu Deus, onde está? 
(Sl 42.1,4)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Estão nublados os dias.

As vezes faço de conta minha Maria... minha Flor, que você está só deitada dormindo na palma transparente da mão de Deus e logo logo vai acordar e voltar pra mim e pro seu pai... as vezes faço de conta.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Filha.


 "Não existe pátria para quem desespera e, quanto a mim, sei que o mar me precede e me segue, e minha loucura está sempre pronta.
Aqueles que se amam e são separados podem viver sua dor, mas isso não é desespero: eles sabem que o amor existe.
Eis porque sofro, de olhos secos, este exílio.
Espero ainda. 
Um dia chega, enfim..."

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A Presença da ausência...

Hoje fazem 14 dias que você me deixou e eu ainda acordo preocupada minha Florzinha, levanto sobressaltada achando que já está na hora de tirar o leite, tudo em mim minha pequenina sente sua falta, seu cheiro ainda perfuma minha alma e sei que é pra sempre, sei que este é o meu presente... a lembrança eterna deste aMor, deste perfume que é você na minha vida.
Maria, ontem seu Pai chorou ao falar dos seus olhos, ao desejar seu olhar pra Ele... sabe filha, somos metade sem você, e mesmo juntos não tem sido fácil entender e aceitar sua perda.
Hoje é mais um dia muito triste pra nós dois sem você filha... mais um dia muito triste.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Faltando um pedaço.

Fazem 7 dias que minha menina se foi... se eu fechar os olhos consigo até sentir seu cheirinho, ouço o barulhinho do seu choro, sorrio ao lembrar do seu rosto, da linguinha tentando chupar aquele tubo de oxigênio, do sorriso pro seu pai, da mão que apertava tão forte meu dedo... ah Maria, você me deixou tão apaixonada, seu nascimento, todos aqueles dias de luta com você na UTI, tudo me mudou tanto... acho que sou a mãe mais feliz e triste desse mundo, porque você filha me inundou de aMor, transbordei, não cabia mais em mim... ai você se foi e eu fiquei e tudo perdeu a cor.
Filha eu aMo você, e hoje é mais um dia muito triste sem você aqui comigo.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O dia mais feliz da minha vida.


Às 17:30hs, de parto normal, nasceu a Maria Flor... minha Florzinha.
Por ser muito prematura foi direto pra UTI, ai meu coração que nem cabe mais em mim, aquele chorinho... Obrigada Meu Deus... Obrigada!