Ela começou a travessia do abismo... Avançar é desatino, recuar é a queda.
"Ela começou a travessia do abismo e se acha naquela posição onde avançar é desatino, recuar é a queda. Eu sou o abismo. (...) Todo o meu nefasto fascínio sobre ela consiste em que eu sou o que ela não sabe que é. Imagem inflamada e dolorida que ela pretendeu ter extirpado.
Ela me abomina, porque eu lhe aponto o que ela riscou do itinerário. Riscou sem ter apagado, pois a marca do fogo, ao se extinguir, não devolve a cicatriz. As cicatrizes desenham o mapa que ela não seguiu, virando as costas para o seu incêndio.
Preferiu outras crateras, desenhou outras ruínas. A recusa dos próprios perigos é um desvio que retarda a culpa, sem anular o sorvedouro.
Ninguém escapa do mais profundo.
(...) Eu sou o fundo.
Sou o perigo sem aventura."
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